segunda-feira, 11 de maio de 2009

Poluição da água

Descarga de poluentes mata aves e peixes na ribeira de Barcarena

por Kátia Catulo (Diário de Notícias, Julho de 2006)
Carcaças de aves a apodrecer nas margens, enguias e bogas mortas no fundo das águas são alguns dos vestígios deixados pelas descargas de poluentes que, desde sexta-feira, atingem a ribeira de Barcarena, no concelho de Oeiras. A mais recente ocorreu ontem e foi a gota de água para o presidente de junta de freguesia, Vítor Alves, que prometeu levar a investigação "até às últimas consequências".
"Não restou nada. Peixes aos milhares, galinhas do mato, patos selvagens, nenhum animal resistiu", denunciou ao DN o autarca de Barcarena, acrescentando que a descarga de maior volume ocorreu no dia 31 de Junho.
O atentado ambiental de sexta-feira poderá assumir proporções ainda mais alarmantes, uma vez que a ribeira de Barcarena desagua em Caxias, paredes meias com a praia.
Zalinda Campilho, do Departamento de Ambiente da Câmara Municipal de Oeiras, explicou terem sido recolhidas amostras de água da estância que serão analisadas pela Inspecção-Geral do Ambiente: "Só após os resultados poderemos saber se esta descarga representa um risco para os banhistas, que costumam frequentar a praia, apesar de a zona estar indicada como desaconselhável à prática de banhos".
As análises foram solicitadas pela autarquia com "caráter de emergência" e os resultados deverão ser hoje conhecidos. "Caso as águas estejam de facto contaminadas, caberá à Administração do Porto de Lisboa, que tem a jurisdição daquela área, interditar a praia", esclareceu a responsável do Departamento de Ambiente.
Identificar o foco de poluição é agora o próximo objectivo. A operação, contudo, será mais complicada, dado que só foi iniciada 48 horas após a descarga. "Fomos informados tarde sobre este incidente e o atraso é um obstáculo à localização do foco", explicou João Baptista Alves dos Serviços Municipalizados de Sintra. O presidente de junta de Barcarena, porém, esclarece que tentou contatar o vice-presidente da Câmara de Sintra ontem pela manhã: "Como estava em reunião, fui obrigado a deixar recado com a sua secretária."
Vítor Alves esclareceu que, durante o fim-de-semana, procurou ainda alertar a Brigada de Proteção de Natureza da GNR, sem contudo ter sucesso: "Estiveram sempre incontatáveis. Só ontem [segunda-feira] foi possível falar com eles", contou Vítor Alves.
Descarga industrial clandestina ou despejo de poluentes através de um camião cisterna são as duas hipóteses levantadas pelos técnico dos Serviços Municipalizados de Sintra: "A eventualidade de este incidente estar relacionado com coletores domésticos está totalmente descartada", assegurou Alves Baptista.
Estas foram algumas das conclusões após os serviços municipalizados do concelho terem percorrido ontem à tarde as margens da ribeira. O mesmo procedimento foi também feito ontem pela Câmara de Oeiras, tendo concluído que o infrator não se encontra no município. "O problema vem de Sintra. Percorremos as margens da ribeira até aos limites do nosso concelho e não detetámos nenhuma irregularidade", explicou Zalinda Campilho.
Embora a última descarga tenha sido mais grave, o presidente da junta adverte para o facto de os atentados ambientais serem "prática diária" na ribeira de Barcarena. "Há anos que ocorrem descargas todos os dias, apesar de nenhuma delas ter sido tão grave como a que ocorreu na última sexta-feira."
Vítor Alves acrescentou que enviou um ofício ao Ministério do Ambiente a solicitar uma investigação para apurar responsabilidades, ponderando ainda apresentar uma queixa-crime contra terceiros. "Quero que os infratores sejam responsabilizados e espero contar com a colaboração das autarquias de Sintra e de Oeiras para conseguir isso", rematou o autarca de Barcarena.


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Leiria: Associação denuncia nova descarga poluente para a Ribeira dos Milagres
21/01/2009 12:16

A Associação para a Defesa da Ribeira dos Milagres denunciou hoje uma nova descarga poluente para a Ribeira dos Milagres, tendo alertado a GNR, que se deslocou ao local.
O porta-voz da associação, Rui Crespo, disse à agência Lusa que a descarga “ocorreu de madrugada e foi de grande intensidade”, de tal forma que de “manhã era possível ver os efeitos da descarga”. Embora o cheiro não fosse “muito intenso, a espuma era visível”, explicou Rui Crespo, convito de que a descarga provém das suiniculturas da região “de certeza absoluta, mas também pode ter origem noutros focos poluidores”.“Eram, de certeza, muitos milhares de metros cúbicos de efluente”, afirmou o responsável, acrescentando que “as descargas para a Ribeira dos Milagres não têm parado, sejam controladas e autorizadas, ou não”. O porta-voz da Associação para a Defesa da Ribeira dos Milagres admitiu que os próprios empresários vivem uma “situação dramática, pois não têm onde deixar o efluente”. À agência Lusa, o presidente da Recilis, entidade que tem por missão a construção da estação de tratamento de efluentes suinícolas, apenas disse “lamentar” a situação.
Já o relações públicas da GNR de Leiria, Carlos Ramos, confirmou ter sido feita uma queixa, que vai “ser averiguada”. Os problemas ambientais na Ribeira dos Milagres duram já há vários anos devido à forte concentração de suiniculturas na região, um setor que produz efluentes mais poluentes que um milhão de pessoas. Nos últimos três anos, o processo tem tido alguns desenvolvimentos com a implementação de um sistema de tratamento dos efluentes, gerido pelos próprios empresários, mas cujas principais obras no terreno ainda não estão concretizadas. Até lá, os cursos de água e os terrenos agrícolas são os principais destinos dos efluentes suinícolas das explorações. As descargas são contínuas, afirma Rui Crespo à Rádio Batalha.

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